UPAs superlotadas: 80% do atendimento prestado é para casos sem gravidade

A Secretaria Municipal de Saúde vem registrando, nas últimas semanas, um aumento considerável de procura direta de pacientes nas UPAs de Cascavel. Como o Município não pode recusar o atendimento a quem procura as Unidades de Pronto Atendimento, o resultado é a superlotação e demora no atendimento nas três unidades que foram criadas para atender casos de urgência, muita urgência e emergência (classificações de risco amarelo, laranja e vermelho). Atualmente, em média 80% do atendimento prestado nas UPAs se refere a casos de “pouca urgência” ou “não urgente”, que correspondem à classificação de risco “verde” e “azul’, conforme determina o Protocolo de Manchester, por meio do qual são colocadas pulseiras coloridas no pacientes sinalizando o nível de gravidade.

Na prática, é o fluxo de procura que não vem sendo respeitado pelos pacientes, que devem, primeiro, passar por uma UBS Unidade Básica de Saúde ou USF (Unidade de Saúde da Família) nos bairros. “Mesmo que o paciente não tenha uma ficha que garanta a consulta com o médico, mas estiver manifestando mal-estar ou sintomas de pouco urgência, a equipe de enfermagem faz o acolhimento e o atendimento prévio, triando casos que precisam de consulta imediata ou de encaminhamento para as UPAs; do contrário, é agendada uma consulta na própria unidade básica”, detalha a diretora de Atenção à Saúde, médica Luciana Cavalli.

Aumento considerável

Para se ter uma ideia, somente neste mês – de 1 a 25 de abril – as três UPAs receberam 20.574 pacientes. Desses, um total de 15.284 poderiam ter sido atendidos nas unidades de saúde. Foram 11.957 casos classificados “pouco urgentes” e 3.327 casos de “não urgente”, todos “verdes”, ou seja, que podem aguardar o atendimento por mais tempo. As emergências, somaram nove casos; as muito urgentes 692 casos e as muito urgentes 4.590 atendimentos, conforme o relatório abaixo.

No mês de abril de 2018 foram atendidos, nas três UPAs, 18.218 pacientes, ou seja, um crescimento de 12,33% este ano. No comparativo do primeiro quadrimestre de 2018 (01/01/2018 a 26/04/2018), com igual período deste ano, o atendimento cresceu 22,31% nas três UPAs, passando de 86.655 para 105.992.

O aumento se deve principalmente aos surtos diarreico, de dengue e, agora, pelo aumento de infecções respiratórias, segundo a gerente de Atenção às Urgências da Sesau, Sônia Sena, que acompanha o atendimento nas UPAs. “Frequentemente estamos sem lugar para acomodar toda a demanda de pacientes, devido à procura aumentada que estamos tendo, que é absurda. Já reforçamos as escalas, em alguns dias temos mais médicos que o normal, mas ainda assim a demora é inevitável”, disse a gerente.

Ela explica que devido à divulgação da necessidade de se procurar uma unidade de saúde quando há manifestações de alguma dessas doenças (dengue, diarreica e gripe), muitos pacientes estão deixando de ir a um “posto de saúde”, como são popularmente chamadas as UBSs ou USFs, e indo diretamente na UPA, aumentando as filas de espera. “Precisamos mudar essa cultura de procura direta e entender as diferenças das classificações”, enfatizou.

Quando procurar a UPA?

Segundo Luciana Cavalli, as UPAs devem atender casos como febre alta sem cessar; cólica renal; convulsões (ataques epiléticos); dores no peito; dificuldades respiratórias; crises de pressão alta; alterações de consciência, cortes com sangramento, por exemplo, que são considerados urgências e emergências.

“Mas temos recebido nas UPAs pacientes que chegam com queixa de dores nas costas há pelo menos três meses; dores no joelho há cerca de cinco meses; dores de cabeça há um ano; piolho, pedido de troca de receita ou até mesmo pedido para remédio para vermes, todas situações que competem à unidade básica de saúde e não às emergências e urgências”, detalha Luciana Cavalli.

Quando procurar o posto de saúde

Casos acima citados pela doutora Luciana e outros como gripe, dor de garganta, febre, dor de cabeça, dor muscular, tratamento para diabetes, hipertensão, vacina, curativo, tratamento odontológico, pré-natal e demais cuidados para todas as idades, de prevenção, precisam ser buscados no “posto de saúde”.

 

(Secom)

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