Em meio a crise entre os homens do Legislativo, Nadir Lovera assume cadeira de Damasceno Junior

Nadir Lovera assumiu a cadeira no fim da tarde desta sexta-feira (Marcelino Duarte/CMC)

Tomou posse como vereadora, no fim da tarde desta sexta-feira (5), a advogada Nadir Lovera (Avante). Ela assume a vaga deixada por Damasceno Junior, que teve o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar há duas semanas. Ele é acusado de ficar com parte do salário de duas ex-assessoras.

Nadir será a única mulher no Legislativo e assume a vaga num momento de crise política entre os homens do Parlamento. O clima nesta semana foi tenso entre os vereadores Fernando Hallberg (PPL) e Roberto Parra (MDB).

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) investiga Parra por supostamente ser adepto da mesma prática de Damasceno e exigir devolução de parte dos salários dos assessores.

Parra nega as acusações e diz que estuda processar Hallberg (Luiz Carlos da Cruz)

Na quinta-feira (5), Parra convocou uma coletiva de imprensa e acusou Hallberg de estar por trás das acusações por supostamente querer tirá-lo da Mesa Diretora da Câmara. Parra é o vice-presidente do Legislativo e disse que vai estudar uma ação criminal contra o colega.

Também na quinta-feira, três assessoras de Parra foram convocadas para prestar depoimento sobre as denúncias contra o vereador. Duas delas negaram que devolvem parte dos salários. A terceira assessora, Rosa da Saúde, passou mal no momento do depoimento e foi liberada pelo promotor de Justiça Sergio Machado.

Curiosamente, também na quinta-feira, ela foi exonerada da função que exercia. O presidente do Legislativo, Alécio Espínola (PSC) disse que a exoneração for para preservar a Câmara.

“Eu acho que em torno de tudo isso que está ao nome da ex-servidora Rosa, de forma muito respeitosa, resolvi exonera-la para que as investigações possam seguir e possamos, neste momento, preservar o Poder Legislativo”, afirmou Alécio.

Alécio disse que se outros servidores tiverem seus nomes envolvidos em escândalos serão exonerados. Ele afirmou que pretende trabalhar pautas positivas.

O clima tenso na Câmara e a troca de farpas entre os vereadores levou Alécio a convocar uma reunião com todos os parlamentares na próxima segunda-feira (8) antes da sessão ordinária. Alguns vereadores não vêm com bons olhos essa reunião que poderá tornar o clima mais tenso ainda.

Investigações
As investigações do Ministério Público sobre Roberto Parra começaram ainda em 2017 quando pessoas procuraram o Gaeco para afirmar que devolviam parte dos salários. O vereador nega as acusações.

As investigações estão sob sigilo e um dos últimos atos do MP foi fazer uma busca e apreensão no gabinete do vereador. Computadores e celulares foram apreendidos e estão sendo periciados. Parra vai depor sobre o caso no dia 17 de abril.

As duas assessoras que prestaram depoimento ao Gaeco afirmaram que não devolvem parte dos salários e disseram que foram coagidas por Hallberg para denunciar o caso. Hallberg gravou a conversa com uma das assessoras onde ela relata a devolução e entregou a gravação ao MP que ainda não fez a transcrição da conversa.

O promotor alertou as duas servidoras que o caso é extremamente grave em qualquer situação – a devolução do dinheiro e acusação de coação por parte do vereador Hallberg.

Da redação

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.