Cascavel: Surto de diarreia ainda não tem explicação

Na última semana foram registrados mais de 530 casos. Ministério da Saúde dá suporte técnico para ajudar a esclarecer quais são as causas

 pesar de ter reduzida a incidência, na última semana foram registrados 531 casos de diarreia nas três Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) de Cascavel. A Secretaria Municipal de Saúde vem investigando o número de casos desde que começou a aumentar a incidência deste a segunda quinzena de dezembro do ano passado.

Conforme já divulgado por meio de informe técnico, alguns agentes etiológicos foram identificados nesse período, quando também foi informado à população a necessidade de implementar medidas de prevenção, como lavagem de mãos e higienização de alimentos, as quais precisam ser reforçadas.

Para auxiliar na elucidação das possíveis causas destes quadros diarréicos, a Sesau e a 10ª Regional de Saúde solicitaram à Secretaria de Estado da Saúde e ao Ministério da Saúde que enviassem equipes técnicas capacitadas neste tipo de investigação.

Desde o dia 1º de março, o Município conta com suporte de técnicos dessas instituições, sob a coordenação do Ministério da Saúde, que optaram por realizar um estudo de caso-controle para determinar fatores associados ao quadro diarréico que vem afetando a população de Cascavel. Vários exames estão sendo realizados, contando com a colaboração do Laboratório Municipal, do Laboratório do Hospital Universitário do Oeste do Paraná, do Laboratório Central do Estado do Paraná e do Instituto Adolf Lutz, do Estado de São Paulo.

O monitoramento é realizado sistematicamente em três unidades sentinelas do Município, desde 2015 (UPA Veneza, UPA Brasília e UPA Tancredo). Em dezembro de 2018, com o aumento de atendimentos acima da média para o mesmo período, foram desencadeadas diversas ações para investigar o evento. Apesar deste monitoramento ser realizado em serviços públicos de saúde, há relatos do aumento de atendimentos por diarreia em outros serviços de saúde, inclusive privados. Na última semana, foram registrados 531 casos de diarreia nas três unidades sentinelas Embora esse número tenha apresentado redução nas últimas três semanas, a Sesau considera fundamental que as causas sejam esclarecidas, a fim de adotar medidas corretas tanto de prevenção, como de controle do problema.

Sobre os resultados até agora apontados, a Divisão de Vigilância Epidemiológica de Cascavel observou nos exames de fezes humanas a circulação do protozoário Cryptosporidium sp e também a presença de vírus como Norovírus, Rotavírus, Adenovírus, além da presença de bactérias como Shigella e Campylobacter jejuni quando utilizou-se outra metodologia de diagnóstico.

 

Sobre o protozoário

O Cryptosporidium é um protozoário transmitido ao ser humano por meio da ingestão de alimentos e água contaminados com o protozoário, além da transmissão zoonótica e do contato direto de pessoa para pessoa. O período de incubação é de uma semana, aproximadamente, e os sintomas se manifestam em mais de 80% das pessoas infectadas. A diarreia líquida e a cólica abdominal são os sintomas mais comuns, seguidos por náuseas, diminuição do apetite, sensação de plenitude pós-prandial, febre e mal-estar. Em geral, os sintomas persistem por uma a duas semanas, com períodos de melhora e de retorno do quadro diarreico, mas pode permanecer por até um mês.

 

Diante disso, a Saúde reforça a necessidade das medidas de prevenção:

 

– Lavar sempre as mãos antes e depois de utilizar o banheiro, trocar fraldas, manipular ou preparar os alimentos, amamentar, tocar em animais;

– Lavar e desinfetar as superfícies, utensílios e equipamentos usados na preparação de alimentos;

– Proteger os alimentos e as áreas da cozinha contra insetos, animais de estimação e outros animais (guardar os alimentos em recipientes fechados);

– Ingerir somente água apropriada para consumo humano (águas fervida, filtrada e/ou clorada);

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