Burnout na maternidade

Mayra Christina é psicóloga em Cascavel

O burnout materno ou, também, síndrome do esgotamento materno, é nosso assunto de hoje. Tema muito relevante, já que estamos no mês das mães.

Mas o que é burnout?

Originário da língua inglesa, o termo “burn out”, significa “queimar por completo”. A condição psicológica do paciente é tomada pelo estresse, a ponto de chegar ao esgotamento físico e/ou psicológico quase ou por completo.

A síndrome do esgotamento ocupacional costuma acometer aqueles profissionais que atuam em dupla jornada, em ambientes de muita pressão ou competitividade, em atividades de grande responsabilidade, que exijam altos níveis de entrega, desempenho e assertividade. Os constantes níveis de  estresse podem resultar no estresse crônico.

Muitos são os sintomas do burnout, e vamos relatar aqui alguns mais comuns, tais como:

  • Desgaste físico;
  • Exaustão ou sensação de fadiga, cansaço constante;
  • Dores de cabeça e/ou dores musculares;
  • Dificuldade de sono (insônia ou sono excessivo);
  • Problemas de memória e concentração;
  • Queda na produtividade;
  • Distúrbios alimentares;
  • Crises de choro sem motivo aparente;
  • Alteração do humor repentino;
  • Constante desejo de não se levantar para se deslocar ao trabalho;
  • Pensamentos de fracasso, incapacidade e desmotivadores constante e
  • Baixa autoestima.

Um diagnóstico clínico da síndrome do burnout pode ser realizado por profissionais da área da saúde, como médicos, psiquiatras e psicólogos. Já o tratamento pode combinar orientações tanto medicamentosas quanto psicoterapêuticas.

Consideramos até aqui o burnout relacionado ao trabalho. Mas como seria a manifestação dessa síndrome na maternidade? Antes de tratarmos desse assunto, precisamos entender mais acerca da maternidade.

O que é maternidade?

Maternidade ou maternagem é o conceito atribuído ao estado ou qualidade de ser mãe, seja por via biológica ou adotiva. É o momento de transformação que ocorre com a chegada de um filho, em que são estabelecidos vínculos de segurança e afeto entre ambos.

A maternidade vem carregada de novidades e surpresas. É um tempo de adaptações, transformações significativas e muito intensas, com uma importância gigante, juntamente com a promessa de que a vida nunca mais será a mesma. Por mais difícil que seja ou possa parecer, a nova mamãe ainda pensa alegremente: “como vivi todo esse tempo sem você em minha vida?”.

A mulher que está dando à luz sente dores, porque chegou a sua hora; mas, quando o bebê nasce, ela esquece a angústia, por causa da alegria de ter vindo ao mundo. João 16:21

Com tudo isso, muitas emoções florescem num ritmo acelerado dentro das mamães que, muitas vezes, vivem esse turbilhão caladas em seu novo mundo. Começa então uma maratona de atividades que ela precisa aprender e dar conta, além das quais já estava inserida, como as tarefas de casa e aquelas que continuam sua jornada no mercado de trabalho, logo com seus afazeres ocupacionais.

Logo um mundo colorido de muito amor e graciosidade é estabelecido com o bebê, entretanto, para dar conta do todo, a mãe começa a ter uma jornada tripla, combinando as atividades do dia-a-dia com a rotina noturna que o cuidado com a criança requer.

A maternidade é algo constante e, em muitos casos, silenciosa, pois a maioria dos comentários e preocupações externas estão relacionadas ao bebê, sendo essa mãe em alguns momentos esquecida pelo meio.

Aqui um nível de estresse constante pode ser instaurado, o que nos traz o tema do burnout na maternidade, já que alguns excessos ou faltas podem trazer à mamãe esse esgotamento emocional. Variados fatores podem trazer frustrações e contribuir para o esgotamento: jornada tripla; sobrecarga física e emocional; qualidade de sono inadequado; o desejo dar conta do todo; a falta de rede de apoio; deixar de lado as necessidades de mulher (cuidados físicos e pessoais); e expectativa versus realidade.

Os sintomas do burnout tendem a ser confundidos com os de outras enfermidades em alguns elementos, vejamos: baixa autoestima, irritabilidade, falta de paciência, sensação de vazio, pessimismo, esgotamento, desmerecimento pessoal, falta de tolerância com mudanças na rotina, apatia, indiferença, culpa excessiva e tristeza.

O esgotamento materno acontece gradativamente e precisamos falar sobre isso para que as mães não sofram sozinhas. O propósito da maternidade no reino e na sociedade é de extrema importância e ser mãe é um desafio gigante, não é pouca coisa.

Estima-se que 95% das atividades relacionadas a criação dos filhos sejam realizadas pelas mães. Ser mãe é preparar, conduzir com amor, afetividade, respeito e integridade, instruir em valores e ética um ser humano para sua atuação em sua geração. Assim sendo, a participação materna na formação dessa geração é fundamental.

Para lidar com esse estresse todo, ou até mesmo já o burnout, é necessário buscar algumas mudanças de hábitos, assim como apoio profissional e espiritual. Algumas possibilidades são acompanhamento psicológico, mentoria espiritual e/ou uma rede de apoio, mentoria materna e tratamento medicamentoso, se indicado por um profissional da saúde mental.

Sabemos que a gestão do tempo na maternidade por meio de rotinas diárias é essencial, mas lembre-se que o planejamento obsessivo pode levar à frustração. Caso algo saia do programado, relaxe!

Considere que a hierarquia de valores deve ser estabelecida. Liste suas prioridades neste tempo e trabalhe em prol delas. Busque hábitos saudáveis na alimentação, faça caminhadas com o seu filho, respire ar fresco e exercite-se.

Procure uma rede de apoio que possa te auxiliar nos cuidados com seu filho, seja ela familiar ou profissional. Ter com quem contar facilitará muito sua vida.

Acima de tudo, busque os conselhos daquele que é expert na criação, o Espírito Santo, nosso conselheiro e ajudador que está conosco em todos os momentos e que pode lhe instruir e aconselhar, inspirar e socorrer todos os dias.

 

Redação

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

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