O colorido no trânsito

Vânia Müetzemberg

Hoje quero falar um pouco sobre cores. Muito além da vã discussão que ocupou os espaços de diálogo nos últimos tempos, se meninas vestem rosa e meninos vestem azul, temos outras questões sobre cores, bem mais relevantes que esta e que deveriam ocupar nossa atenção e rodas de discussões mas que, ao contrário disso, passam batidas, pouca gente “se liga”, a maioria acha bobagem, vê como coisa pequena.

As cores no trânsito, por exemplo, ocupam espaço em nossas vidas e trazem implicações na vida de todos os que circulam pelas vias públicas. Elas são mais, muito mais, do que simples cores, elas trazem comunicações importantes, mensagens que ordenam, delimitam, normatizam e garantem segurança aos que transitam por este espaço que é de todos. Assim, não deveriam jamais ser usadas de forma inadequada ou irresponsável, simplesmente como cores. Quando falamos delas, estamos falando da linguagem do trânsito, fundamental para preservação da vida.

Pensando na necessidade de bem comunicar, a legislação de trânsito brasileira traz tudo muito bem explicado e o Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN elaborou os manuais brasileiros de sinalização viária para não deixar dúvidas, mesmo ao mais leigo dos cidadãos, sobre a importância das cores e o significado de cada uma delas no trânsito de nosso país.

Essa preocupação do CONTRAN tem fundamento na necessidade de todos os brasileiros, de norte a sul, ao se depararem com uma determinada cor sinalizando as vias tenham exatamente o mesmo entendimento.

Isso quer dizer que, na comunicação do trânsito não se admitem dialetos regionais, neologismos, gírias, ou qualquer outro tipo de linguagem, senão aquela especificada na legislação e nos citados manuais. Um usuário do nosso trânsito precisa olhar para a cor e entender imediatamente o que ela comunica, sem precisar ficar pensando, seja esta sinalização disposta em Manaus, Salvador, Rio de Janeiro, no Chuí ou, aqui mesmo, em Cascavel.

Quando discutimos cores no trânsito, não estamos falando de gostos, falamos, sim, de SEGURANÇA e ORGANIZAÇÃO do espaço público. A via pública, não é território de ninguém. É, sim, espaço de TODOS! Por isso, necessita de regras e normas rigorosamente cumpridas, sem as quais haverá conflito, risco, vira bagunça!
Os gestores públicos precisam compreender que as vias não são uma tela e a sinalização não é simples “pintura” como eles gostam de chamá-la. Não se pode sair “pintando o sete” fazendo “arte” a fim de identificar um determinado governo. É preciso lembrar que é proibido imprimir em via pública qualquer coisa que seja marca de governo. Tudo o que for diferente da sinalização de trânsito constante nos manuais e na legislação, foge da linguagem que comunica normas e regras de trânsito, passando a comunicar a marca de um governo, indo ao encontro da ilegalidade.
Manuais, tratados ou recomendações internacionais, salvo aqueles dos quais o Brasil for signatário, não podem ser considerados superiores ao que está exposto na legislação brasileira.

É fundamental que os gestores púbicos tenham responsabilidade, consultem e respeitem os técnicos e as determinações legais. Compreendam que a via pública não é circo, parque de diversões, palanque eleitoral, nem tampouco o quintal de suas casas. E, portanto, não podem sair colorindo as vias de acordo com seu gosto ou estado de espírito.

Eu não estou nem aí se meninos vestirem rosa e meninas vestirem azul! Simplesmente porque essas cores são uma questão de gosto pessoal. Mas, no trânsito, discuto cores sim! E você que se entende como cidadão deveria discutir também, porque elas são a linguagem que temos para comunicar regras, definir SEGURANÇA e ORDEM no espaço que é meu e teu. E também, porque a inobservância da norma, a “arte” de mau gosto e desnecessária, gera confusão, insegurança e desperdício de dinheiro público, e este ônus virá, certamente, para a minha e a para sua conta também. Pense nisso!

(Vânia Müetzemberg – Pedagoga, Psicopedagoga, Especialista em Trânsito)

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